Poema A casa dos mortos, de Bubu
A casa dos mortos
das mortes sem batidas de sino.
- Cena 1 deste filme-documentário
do mesmo destino de sempre;
é que aqui é a casa dos mortos!
***
A casa dos mortos
das overdoses usuais e ditas legais.
- Cena 2 deste filme-documentário
do mesmo destino de sempre;
é que aqui é a casa dos mortos!
***
A casa dos mortos
das vidas sem câmbios lá fora.
- Cena 3 deste filme-documentário
do mesmo destino de sempre;
é que aqui é a casa dos mortos!
***
Prá começo de conversa, são 3 cenas,
são 3 cenas anteriores e posteriores
às minhas 12 passagens
pelas casas dos mortos,
que são os manicômios;
- tenho - digamos assim ! -
surtos de loucura existencial brejinhótica,
relativos à minha cidade natal,
Oliveira dos Brejinhos - Bahia - Brasil;
voltando às cenas:
… cenas que, por si sós,
deveriam envergonhar os ditames legais
das processualísticas penais e manicomiais;
mas, aqui é a realidade manicomial!
***
Pois, bem: são 3 cenas,
são três cenas repetidas e repetitivas
de um ritual satânico-sacro
com poucos equivalentes comparados de terror,
cujo estoque self-made in world
é o medicamentoso entupir de remédios,
o qual se esquece de que
A Era Prozac
das pílulas da felicidade
não produz A Era da Felicidade
da nossa almática essência de liberdade;
mas, aqui é a realidade manicomial!
***
E, ainda sobre as 3 cenas:
são 3 cenas de um mesmo filme-documentário:
Cena 1, das mortes sem batidas de sino;
Cena 2, das overdoses usuais e ditas legais;
Cena 3, das vidas sem câmbios lá fora
- que se reescrevam, então,
Os Infernos de Dante Alighieri;
mas, aqui é a realidade manicomial!
***
Reporto-me às palavras de um douto inconteste,
um doutor que rompeu o silêncio,
o jornalista Jânio de Freitas,
do jornal A Folha de São Paulo:
“A psiquiatria é a mais atrasada das ciências”
- Parafraseio Jânio de Freitas
porque a casa dos mortos,
que é a metáfora arquitetônica
pela qual designo a psiquiatria,
pede que se fale
contra si mesma!
***
E, por falar, também, em lucidez,
sou lúcido e translúcido:
a colunista-articulista Danuza Leão,
no jornal baiano A Tarde, explica:
“Lucidez é reconhecer
a sua própria realidade,
mesmo que isso lhe traga sofrimentos.”
Mas, qual, ó Bubu!:
isto aqui é a casa dos mortos,
e, na casa dos mortos,
quem tem um olho é rei,
porque esta é a máxima e a práxis
da casa dos mortos.
***
Hospital São Vicente de Paulo /
Taguatinga - Distrito Federal - Brasil, abril de 1995:
o laudo a meu respeito (eu Bubu)
é categórico e afirma sinteticamente:
“O senhor Bubu é perfeita e plenamente lúcido!”.
Mas, é que lá a psiquiatria é Psiquiatria Federal,
com P maiúsculo,
de propriedade patenteada
e de panteão da civilização;
enquanto que, aqui na Bahia,
a psiquiatria é psiquiatria estadual,
com p minúsculo,
de pôrra-louquice
e de prostíbulo do conceito clínico
(não custa nada afirmar:
eu Bubu fui absolvido
pela Psiquiatria Federal,
e eu Bubu fui condenado
pela psiquiatria estadual
- eis o mote da minha história!)
***
Isto é um veredicto!
- tomara que fosse um ultimatum
à casa dos mortos!
(Source: inverso.org.br)
Para os apaixonados pela Lua essa noite foi uma das mais belas da vida.
Da uma olhada na SuperMoon que ainda tá ali fora.
(Source: inevitablefates)
Penso que nada deveria ser tão complexo, nada deveria ser tão difícil…
Gostaria de ter o poder de renunciar sentimentos. Ou o poder de não partir meu coração, minha alma. Não sentir essa dor que não dói só por dentro, dói na carne também. Ser imune às fraquezas humanas.
Queria não duvidar de mim mesma. Nem das minhas decisões. Ser tão certa de tudo quanto me mostro.
Não desejaria…
Cansativo e Repetitivo
Às vezes sinto como se nada ao meu redor fizesse o mínimo sentido.
Sinto como se esse corpo não me pertencesse, como se a essência que sou eu estivesse presa à algo, sem nada poder fazer.
Não me cabe nesse espaço tão minúsculo.
Não sei mais o q dizer ou o q fazer na hora certa.
Acho que de tanto errar, me perdi no meio de um a tempestade que eu mesma criei.
Sei que tenho a resposta em minhas mãos, ou melhor, bem ao meu lado. Mas devido às atuais circunstâncias, não consigo mais optar pelo correto, pois às vezes, aos meus olhos, os limites entre certo e errado se confundem.
Meu único desejo definido, é para que não me julguem precipitadamente, pelas minhas decisões mal tomadas.
Desaprendi à me expressar.
Me encontro em lugares sem saber.
Desejo uma outra realidade.
Meus sentidos estão tão confusos ultimamente…
Não sei mais o que fazer!
Não guardarei aquele sorriso para sempre.
Quero uma mais bonito todos os dias.
Pra me fazer pegar no sono,
Pensar nos dentes, dentro da mais sincera alegria…
E na insistente lágrima feliz que não escorre pelo rosto.
Acabou?
Não tenho mais aquele sorriso bobo na cara de tempos atrás.
Ou o olhar despretensioso.
Tenho uma dor da vida.
Numa incompreensão total,
Meu peito já não arde mais em amores. Neste lugar antes imaculado, há agora a angústia.
Quero estancar, mas já não posso conter a ferida, que se abre mais e mais em minha pele, causada pelas minhas próprias mentiras.
Eu quis enganar-me, mas caí no meu próprio abismo de terror.
Tudo é dor.
Uma dor da alma que chega a anestesiar meu corpo, e a morbidez me faz querer rasgar esta literalidade.
Literalidade da qual já desconfio, a real existência.
Mas o pânico sempre me assola e não me deixa agir. Me sinto inútil. Me sinto fútil.
Pra quê essa existência? Pra quê escovar os dentes todas as manhãs?
Não, não mais desacredito dos seres humanos.
Hoje, me desacredito de mim mesma.
Somente sinto pena do ser repugnante que me tornei e não mais reconheço o reflexo.

